Ponto de Vista: Wasup CEOs?

Os cinco pontos principais do MMA CEO/CMO Summit, organizado pela Mobile Marketing Association

Artigo originalmente publicado no jornal Meio & Mensagem em 09/09/2015. Por Pedro Del Priode, Chief Executive Officer da Agência Ginga

Todos os anos a Mobile Marketing Association realiza o MMA CEO/CMO Summit, que reúne somente CEO’s e CMO’s do mundo inteiro, para troca de experiência e conhecimento. Este ano, o evento foi em Napa Valley, próximo à cidade que já chamam de “a Florença dos nossos tempos”: São Francisco, que é sede de empresas como Salesforce, AirbnB, Pinterest e Uber. Diferente de quando morei e estudei design na cidade, quando a maioria dos estudantes sonhava trabalhar para Jeff Goodby, hoje mais de 30% dos recém-formados buscam empresas de tecnologia como primeira opção. O lugar virou uma república de profissionais endinheirados e bem informados, atraindo talentos do mundo todo. Enquanto isso, entre os CMO’s e CEO’s globais, eis o que vi, resumido em cinco pontos principais:

Esqueça o Rolex, seu relógio deve ser um Apple Watch: mais de 200 CEOs/CMOs presentes e a maioria estava de Apple Watch. Pode ser modismo, mas além da presença massiva do device nos pulsos dos mais poderosos, o fato é que executivos estão cada vez mais conectados e atentos. Entenderam que o marketing digital e mobile não são categorias e sim, um meio que transita em todas as áreas e setores de uma empresa.

Mobile, estratégia de todo mundo: esqueça o papo de que o ano do mobile ainda não aconteceu. Se pra você ainda não, lamento, mas quem está atrasado não é o mobile. Números estão aí para provar o quanto expandiu, evoluiu e está transformando indústrias, comportamentos e quebrando paradigmas. Mobile se tornou canal de investimento relevante, estratégico e criativo. A rede de fast food americana Taco Bell apresentou seu case e silenciou a plateia. Disponível para todas as 6.000 lojas da rede nos EUA, o app já foi baixado por mais de 3 milhões de consumidores que gastam US$10 a mais através dele, mais ou menos 20% do que um pedido “tradicional” nas lojas.

Credibilidade das agências em pauta: a vantagem de sair do eixo Cannes e mudar de ares, é ter uma percepção diferente de como nossa indústria é avaliada. Nos bastidores do evento senti uma crescente desilusão para com as agências. Claro que a culpa não é apenas delas, mas é consenso como ainda têm enorme dificuldade para se adaptar à nova realidade. E por que então não mudamos? É importante parar com a postura defensiva e evoluir. Cada vez mais, presenciamos empresas de tecnologia, de consultoria e outros players tornando-se nossos competidores diretos.

CTMO’s: não sei se CMO’s e CTO’s irão um dia ser apenas um só profissional, mas no evento, pude perceber uma mudança extremamente significativa do nível de educação tecnológica dos presentes. Muito mais aptos a discutir e opinar sobre tecnologia, e se aprofundando cada vez mais no tema, perceberam a importância de conhecer o assunto.

Pare de olhar para o passado: como filho de historiadora, cresci sabendo da importância de analisar nossa história para melhor entender o presente e tentar prever o futuro. Mas nos últimos anos estamos vivendo uma revolução. A palavra da moda, “disruption” não é por acaso. Tudo o que funcionava antes está sofrendo mudanças profundas. No transporte, na forma como nos comunicamos, consumimos, nos relacionamos. Tudo está em transformação e como diria Renato Russo “o futuro não é mais como era antigamente”.

Quando vivemos numa era onde empresas são fundadas e em menos de um ano, se transformam em “unicórnios” em Wall Street, é preciso derrubar todos os pré-conceitos e conceitos, abrir a cabeça para o novo, voltar a ser mais observadores, curiosos e aprendizes de tudo.